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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Fístula anal: Proctologista


 Fístula anal – Dr. Paulo Branco
O Dr. Paulo Branco irá comentar  o artigo escrito no livro do colégio americano de cirurgiões sobre Fístula Anal, ilustrações e caso clinico.


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Renata












Dúvidas dos internautas:
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- Etiologia ou causa:
A fistula é definida como uma comunicação anormal entre 2 superfícies revestidas por epitélio.  A fístula anal possui um trajeto ou cavidade anormal que se comunica com o reto ou canal anal através de uma abertura interna identificável.  A maioria das fístulas perianais provavelmente surge como resultado de uma infecção das glândulas anais ou criptoglandulares.

Glândula inflamada:




















- Classificação:
- A classificação de fístula mais útil, porém ainda complicada, é a descrita por Parks et al.

1- Fístula anal interesfincteriana:

- O trajeto da fístula perianal passa no espaço entre os dois músculos esfincterianos, interno e externo. 
- É o tipo mais comum de fístula perianal, sendo responsável por aproximadamente 70% dos casos.  

2- Fístula Anal transesfincteriana:
- O trajeto da fístula passa através dos músculos esfíncter interno e externo.
- Representa 23% das fístulas perianais.
- As fístulas retovaginais, são uma forma de fistulas tranesfincterianas.


3- Fístula Anal Supraesfincteriana:
- O trajeto da fístula passa acima dos esfíncteres anais.
- Representa 5% das fístulas, em algumas séries.

4- Fístulas Extraesfincterianas:
-  Constitui o tipo raro, sendo responsável por 2% da fístulas.

Avaliação e tratamento:

Sintomas:
- O paciente com fistula anal muitas vezes relata uma história de abscesso que foi drenado cirúrgica ou espontaneamente. Os pacientes podem queixar-se de drenagem, dor à defecação, sangramento causado pela presença de um tecido inflamatório na abertura interna, chamado de granulação, edema ou diminuição da dor com a drenagem.

Fístula perianal: Abscesso



















Abscesso drenado:




















- Sintomas intestinais adicionais podem esta presentes quando a fístula é secundária a retocolite, doença de Crohn, actinomicose ou câncer ou linfoma devem ser cogitadas.

Exame físico ou clinico local:
 - O orifício externo ou secundário poderá ser visto como uma elevação do tecido inflamatório ou de granulação com saída de pus, que pode ser provocada pelo toque retal.

Fistula perianal: orifício externo





















- Na maioria dos casos o orifício interno não é aparente.
- O número de orifícios externos e sua localização pode ser útil para identificação do orifício primário. De acordo com a regra de Goodsall, o orifício posterior à linha traçada transversalmente ao períneo indica sua origem a partir de um orifício interno na linha média posterior.

Dica cirúrgica: Quanto maior a distância da margem anal, maior a probabilidade de um trajeto alto complexo.
- O toque retal poderá revelar uma estrutura semelhante a um cordão endurecido abaixo da pele, no sentido do orifício interno, com assimetria entre os lados direito e esquerdo. Orifícios internos podem ser sentidos como nódulos endurecidos ou depressões que conduzem a um trajeto endurecido.

Investigação:
- Endoscopia: A anuscopia deverá ser realizada antes da cirurgia, na tentativa de identificar o orifício interno.
- Exames radiológicos:
São realizados para estudar a relação da fístula com os músculos formadores dos esfíncteres anais e coleções ou abscessos mais profundamente localizados.

Exames radiológicos:
- Fistulografia.
- Tomografia computadorizada.
- Ultrassom endoanal.
- Ressonância Magnética pélvica e anal.
Tratamentos:
1- Os princípios da cirurgia de fístula, são:
- Retirar totalmente a fístula, os seus dois orifícios e o trajeto;
-  Prevenir o retorno ou recidiva;
-   Preservar a função dos esfíncteres.

Identificação total da fístula:

















Laser para retirar o trajeto:


Comentário: Dr. Paulo Branco
Concordo plenamente com o autor e também acho que o  sucesso será obtido pela identificação do orifício interno ou primário da fístula, que dá origem a doença com identificação e não secção ou secção da menor quantidade possível dos músculos relacionados com o trajeto da fístula.

2- Identificação do orifício interno da fístula:
Vários métodos tem sido propostos para identificar o orifício interno na sala de cirurgia:
- Passagem de uma sonda ou sondas a partir do orifício externo até o interno ou vice-versa.
- Injecao de corante como solução diluída de azul de metileno, leite ou peróxido de hidrogênio, observando a coloração da linha pectínea, local do orifício interno da fístula. Embora o azul de metileno possa atingir os tecidos circundantes, sua diluição com soro fisiológico ou água oxigenada vai evitar esse problema.
- Seguir o trajeto do tecido inflamatório ou de granulação presente no trajeto da fístula.
- Observar a retração de uma cripta anal, possível local de origem da fístula, quando se exerce tração sobre o trajeto fistuloso. Isso poderá ser útil nas fistulas constituídas por um  trajeto, mas apresenta menor resultado nas variantes mais complicadas.

Identificação do orifício interno:

















Guia da fístula: Dr. Paulo Branco.
Desenvolvi um guia metálico que trás o orifício interno para fora, fazendo com que a retirada da fístula se torne mais fácil.

Guia que idealizei:


















Técnica operatória:
Fistulotomia: O trajeto da fístula após ser identificado por uma sonda, principalmente o seu orifício interno, será aberto e o seu tecido inflamatório ou de granulação será curetado e algumas vezes se o cirurgião achar necessário, enviado para exame histopatológico.
- Se desejado, a ferida cirúrgica poderá ser marsupializada, isto é aproximando os seus bordos com fio absorvível para tornar a cicatrização mais rápida.

Conduta: Dr. Paulo Branco
Eu não realizo a fistulotomia, mas sim a fistulectomia, retiro a fistula e sempre fecho os tecidos profundos, principalmente a abertura anal, o que tornará a cicatrização mais uniforme e precoce, o que tem grande repercussão orgânica e psicológica para os pacientes que não suportam longos períodos de cicatrização.

Seton ( Sedenho): Colocação
-     O problema da preservação da continência anal e tratamento da fístula é mais complicado quando se tratam fístulas altas transesfincterianas. Se o trajeto atravessar o esfíncter em um nível alto, a utilização da técnica aberta em combinação com a colocação do seton ( sedenho) é mais segura.

Seton:


- O seton pode ser qualquer corpo estranho que pode ser inserido no trajeto da fístula e laçar o esfíncter. Os materiais frequentemente utilizados são o fio de sutura de seda e outros fios de sutura inabsorvíveis, dreno de penrose, tiras de borracha, fitas vasculares e cateteres de silastic.

Seton: Dreno de borracha


















- A porção inferior do esfíncter interno é seccionado junto com a pele para alcançar o orifício externo e um fio de sutura absorvível ou elástico será inserido no trajeto da fístula. As extremidades do fio de sutura ou elástico são atadas por múltiplos nós, que servem como suporte para manipulação externa. Essa forma de seton, conhecida como seton de corte, é apertada a intervalos regulares para cortar lentamente o musculo esfíncter. Isso permite que o trajeto se torne mais superficial, convertendo uma fístula alta em fístula baixa. A fistulotomia proximal cicatriza por estimulação e fibrose, restabelecendo a continuidade do anel anorretal para evitar o desgarramento do esfíncter durante a segunda etapa do reparo, que será feita 8 semanas mais tarde, quando o esfíncter externo remanescente será seccionado.
- O seton também poderá ser usado como um dreno que será deixado perdido no local para facilitar a drenagem prolongada.

Seton: Borracha


















Indicações especificas do seton:
- Identificar e promover a fibrose em torno de uma fístula anal complexa que envolve a maior parte ou todo o esfíncter.
- Demarcar o trajeto de uma fistula transesfincteriana na sua fase aguda ou abscedada.
- Fístulas anteriores altas em mulheres.
- Para evitar o fechamento prematuro da pele e formação de abscessos recidivados, como na doença de Crohn.

Conduta: Dr. Paulo Branco.
Lendo acima, me parece que o seton, funciona muito mais como um dreno, para tratar ou evitar a formação de um abscesso ou para evitar lesão de músculo nas fístulas transesfincteriana, do que uma  forma de tratamento . Não uso, não indico e toda semana eu retiro essa borracha de pacientes que estão com drenagem de secreção, pus, dor ao tocar na borracha, muitos sem poder sentar, andar e muitos de trabalhar, e o que eu não concordo de esperar um ano para ver se funciona. Essa orientação é porque a não cicatrização ou recidiva da fístula anal com o seton foi alta. Um outro problema é a extrusão, saída do local posicionado o que facilita a irritação, dor e a contaminação pelas fezes.

Conduta: Dr. Paulo Branco
Eu retiro a fístula anal com o laser, de forma simples e sob anestesia local. A minha primeira preocupação é em identificar os músculos formadores dos esfíncteres anais, que são isolados e separados do trajeto fistuloso. Retiro toda a fístula e a seguir aproximo os tecidos profundos e deixo a pele aberta para drenar e uso pomadas adequadas. Não tive casos de incontinência. A cicatrização ocorre geralmente entre 15 a 30 dias. Os pacientes recebem um guia com todas as orientações comportamentais e nutricionais para um bom pós-operatório.

domingo, 15 de junho de 2014

Abscesso anal: Proctologista


Abscesso anal: Dr. Paulo Branco
Dr. Paulo Branco irá comentar o artigo sobre os abscessos  perianais escrito pelo Colégio Americano de cirurgiões.

 Clinica: Mônica


Proctologista no bairro da lapa sp: 
Fones:
Fixo: 11-38467973
Móvel: 986663281

Mônica:










Proctologista no bairro da Vila Nova Conceição sp:

Fatima:













Proctologista no Centro sp, Praça da Republica.
Fone: 11-33317016










A. Introdução:
- Os abscessos anorretais e as fístulas anais representam diferentes fases de um espectro patogênico comum. O abscesso representa o evento inflamatório agudo, enquanto a fístula representa o processo inflamatório crônico.


Ilustração educativa: 








Fístula perianal:













Comentário: Dr Paulo Branco.
Observar que o circulo amarelo é um abscesso perianal que após drenar, cirugica ou expontaneamente, vira um trajeto, a esquerda chamado de fístula perianal.


Abscesso perianal:
 Anatomia:
- O sucesso na erradicação da supuração e da fístula anorretal requer um conhecimento profundo da anatomia anorretal por parte do medico proctologista e mesmo para a interpretação das imagens radiologicas. É essencial a compreensão da existência dos vários  espaços anorretais, para ter uma conduta bem definida no tratamento de cada caso. 

Espaços e músculos envolvidos:
















- O espaço perianal está localizado na área da margem anal. Continua-se lateralmente com a gordura isquioanal ( gordura que ocupa o espaço lateral do canal anal e reto) e medialmente com a parte inferior do canal anal. É contínuo com o espaço entre os músculos formadores dos esfíncteres anais.


Causa:
- Noventa por cento de todos os abscessos anorretais resultam de infecções das glândulas anais, enquanto o restante resulta de outras causas.

Glândula inflamada:




















- A obstrução do ducto da glândula anal, resultará em estase da secreção, infecção e formação do abscesso perianal que drenará e formará a fístula perianal.
- Os fatores predisponentes para a formação da fístula anal, incluem diarreia e traumatismo sob a forma de fezes endurecidas.
- Os fatores associados podem ser as fissuras anais, infecção de um hematoma, ou doença de Crohn.

Causas do abscesso perianal:
Inespecífica, criptoglandular, doença de Crohn, colite ulcerativa, infecção, tuberculose, traumatismos, corpo estranho, cirurgia, episiotomia, cirurgia de hemorroida, cirurgia da próstata, leucemia, linfoma radioterapia.

Classificação:
- De acordo com a sua localização nos espaços anorretais potenciais, podem ser classificados, em:
Ver a figura:

Avaliação e tratamento:

Sintomas:
- Dor, tumefação e febre são as principais características associadas ao abscesso.
- Dor retal grave acompanhada de sintomas urinários como ardência, retenção ou incapacidade de urinar pode ser sugestiva de abscesso entre os músculos formadores dos esfíncteres anais superficiais e profundos.


Abscessos anais profundos:















Exame clinico ou físico:
 - Inspeção: Evidenciará uma área avermelhada, tumefeita com flutuação.

Abscesso perianal:














- Nos abscessos anais profundos o exame retal e vaginal poderão ser extremamente doloridos.
- Exames endoscópicos são inadequados pela dor e desconforto que poderão causar.


Tratamento:
- Basicamente, o tratamento de um abscesso anorretal consiste em incisão, drenagem e antibióticos adequados.


Drenagem expontânea:



















- Raramente, o atraso no diagnostico e tratamento dos abscessos anorretais poderá resultar em infecção necrotizante e óbito.

Cirurgia: Abscesso
- A drenagem deverá ser feita através de uma incisão cruciforme ou elíptica, retirando-se os bordos para evitar um fechamento precoce da pele. A drenagem dos abscessos perianais poderá ser realizada sob anestesia local.



Local exato do abscesso perianal: 
















Drenagem cirurgica:















Os abscessos superficiais poderão ser drenados sem a utilização de drenos e os abcessos profundos, poderão ser drenados com drenos laminares ou mesmo com o auxilio de cateteres de borracha maleável com extremidade em forma de cogumelo de 10-16 French, inserido através de uma cânula na cavidade do abscesso.  
- Entre os pacientes com abscessos drenados, 11% podem desenvolver fístula enquanto 37% podem desenvolver recidiva do abscesso. Isso ocorre com maior frequência nos abscessos profundos.
- A falha em identificar uma abertura interna poderá ocorrer em 66% dos pacientes.    
- 50% dos pacientes após o  primeiro episodio da formação de um abscesso, não formaram fístula.
- Fistulotomia: Consiste na abertura do trajeto da fístula. Fazer se tiver experiência e se achar o orifício interno no  momento da drenagem do abscesso.
Cuidado: A insistência na busca de uma fístula poderá levar à formação de um falso trajeto e secção desnecessária do músculo esfíncter anal com risco de incontinência anal.

Abscessos anais  x HIV:
- Os pacientes que são soropositivos para o vírus da imunodeficiência humana ( HIV) e apresentam abscessos necessitam de drenagem, quer por incisão e drenagem ou por cateter.
- Como estes pacientes são imunodeprimidos, devem ser usados antibióticos.
- Os esforços devem ser dirigidos para manter pequenas feridas, pois esses pacientes correm o risco de má cicatrização. Um aumento da incidência de sepse ou infecção perineal grave pode ser observada em pacientes HIV- positivos.